O Mundo em Suas Mãos

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Divina Misericórdia, eu confio em Vós!

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domingo, 20 de dezembro de 2015

É quase Natal

Mais um aniversário para o Menino Jesus. Mais uma oportunidade para olhar para a manjedoura e ressignificar a vida. Vida brotada de um sopro de amor do Criador. Vida nascida de águas santas que jorram a esperança de um curso mais limpo. A natureza é prova disso. Das nascentes, prova-se água pura;  no percurso, os entulhos, as poluições, os pedaços de insanidades, vão deformando a pureza do que, antes, se bebia.
Com os homens, também é assim. Nascem as crianças e os seus entornos cuidam de roubar delas os futuros bons. Mas é mais um Natal que se aproxima. Quem sabe das lamas bolorentas de tantos ódios jorrados sem compaixão brotem algumas nascentes, miraculosas nascentes com o intuito de limpar o rio. Quem sabe nos ressignificados possíveis olhemos sem pressa para a manjedoura e nos afeiçoemos com a imagem do Amor feito menino. Menino que riu, que chorou, que surpreendeu, que se assustou, que se inspirou na carpintaria do mundo pelas mãos habilidosas de seu pai. Um bom José.
 Menino feito homem que ouviu de sua mãe, Maria, que havia acabado vinho naquela festa. Que havia acabado alegria. Sabia ela que, tudo guardava no coração, que sua missão era restabelecer a alegria. Ele fez o que devia ter feito. E surpreendeu.
Que o natal nos surpreenda. Não nas expectativas do que os outros possam trazer para as nossas vidas. Não nas esperas de milagres que limpem as águas cujas nascentes eram belas, como dissemos. Que o natal nos surpreenda pela nossa capacidade de compreender o poder que temos de dar às nossas vidas o verdadeiro sentido do natal. Uma vida que surge e que surpreende um mundo marcado por guerras, ódios, intolerâncias, perversidade. Era assim no tempo de Jesus. É assim nos nossos tempos.
Mulheres eram apedrejadas. Mulheres são apedrejadas. Mentiras eram espalhadas. Mentiras são espalhadas. Ausências de amor traziam dor. Ausências de amor trazem dor. E o mundo não compreendeu Jesus. Alguns queriam vê-Lo no poder. No tipo de poder que acreditavam. Outros O desprezaram quando mentiras foram espalhadas sobre Ele. Outros apenas assistiram sem entender o real significado da compaixão.
É mais um Natal. Tempo da alegria. Tempo do nascimento. Tempo de presentes que trazem significado. Tempo de ser presente nas ausências e de dar ao menino o presente que ele merece. 
Razões há para o pessimismo, o curso está sujo;  razões há para o desânimo, mulheres e homens não se cuidam mutuamente e o rio segue distante da nascente. Mas é Natal. Deixemos de lado o que causou estranheza e prossigamos. Lembrando a pureza da nascente, da vida brotada do Sopro do Criador, do Menino rindo e chorando, nascendo. É aniversário do Menino Jesus. Deixemos que Sua simplicidade inspire o encontro. Exageros não combinam com a manjedoura. Na receita da ceia, não pode faltar ternura; o resto é menos importante. 
Renasçamos.
Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 20/12/2015







4º Domingo do Advento - 20/12/2015
❤️❤️❤️❤️

1ª Leitura
Salmo
2ª Leitura
Evangelho

❤️
Primeira Leitura (Mq 5,1-4a)

Leitura da Profecia de Miqueias:
Assim diz o Senhor: 1Tu, Belém de
 Éfrata, pequenina entre os mil povoados 
de Judá, de ti há de sair aquele que
 dominará em Israel; sua origem vem 
de tempos remotos, desde os dias 
da eternidade.
2Deus deixará seu povo ao abandono,
 até o tempo em que uma mãe der à luz;
 e o resto de seus irmãos se voltará para 
os filhos de Israel.
3Ele não recuará, apascentará com a força 
do Senhor e com a majestade do nome do
 Senhor seu Deus; os homens viverão em paz, 
pois ele agora estenderá o poder até os confins
 da terra, 4ae ele mesmo será a Paz.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

❤️❤️
Responsório (Sl 79)

— Iluminai a vossa face sobre nós, 
convertei-nos para que sejamos salvos!
— Iluminai a vossa face sobre nós,
 convertei-nos para que sejamos salvos!
— Ó Pastor de Israel, prestai ouvidos./
 Vós que sobre os que-rubins vos assentais, 
aparecei cheio de glória e esplendor! 
Despertai vosso poder,/ ó nosso Deus/
 e vinde logo nos trazer a salvação!
— Voltai-vos para nós, Deus do universo!
/ Olhai dos altos céus e observai./ 
Visitai a vossa vinha e protegei-a!/ 
Foi a vossa mão direita que a plantou;/
 protegei-a e ao rebento que firmastes!
— Pousai a mão por sobre o vosso Protegido
,/ o filho do homem que escolhestes para vós!
/ E nunca mais vos deixaremos, Senhor Deus!
/ Dai-nos a vida e louvaremos vosso nome!

❤️❤️❤️
Segunda Leitura (Hb 10,5-10)

Leitura da Carta aos Hebreus:
Irmãos: 5Ao entrar no mundo, Cristo afirma:
 “Tu não quiseste vítima nem oferenda, mas
 formaste-me um corpo. 6Não foram do teu 
agrado holocaustos nem sacrifícios pelo pecado.
 7Por isso eu disse: ‘Eis que venho. No livro está
 escrito a meu respeito: Eu vim, ó Deus,
 para fazer a tua vontade’”.
8Depois de dizer: “Tu não quiseste nem te 
agradaram vítimas, oferendas, holocaustos,
 sacrifícios pelo pecado” – coisas oferecidas 
segundo a Lei –,9ele acrescenta: “Eu vim para 
fazer a tua vontade”. Com isso suprime o primeiro
 sacrifício, para estabelecer o segundo. 10É graças
 a esta vontade que somos santificados pela oferenda
 do corpo de Jesus Cristo, realizada uma vez por todas.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

❤️❤️❤️❤️
Anúncio do Evangelho (Lc 1,39-45)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós!
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo
 + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor!
39Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa,
 dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. 
40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel.
 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança
 pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.
42Com um grande grito exclamou: “Bendita és tu entre 
as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! 43Como 
posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar?
 44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, 
a criança pulou de alegria no meu ventre. 45Bem-aventurada
 aquela que acreditou, porque será cumprido 
o que o Senhor lhe prometeu”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós,


sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Amizade sincera

Há uma canção de Renato Teixeira que começa assim: "A amizade sincera é um santo remédio. É um abrigo seguro". Remédio cura doença ou ameniza a dor. Abrigo seguro é espaço de aconchego, do descanso, do restabelecimento das forças.
Prossegue a canção: "Os melhores amigos/Não trazem dentro da boca/Palavras fingidas ou falsas histórias". E como saber o que é fingimento? Como discernir o verdadeiro do falso? Os antigos falavam que era preciso tomar cuidado com os lobos que se vestem de cordeiros. Não é fácil distingui-los. Há muita maquiagem disponível no mercado dos descartáveis. Há tantos que se aproximam com estranhas intenções. Há tantos que se valem da fragilidade das nossas sinceridades. Há tantos que tramam pelo fim da paz. Estranhos sentimentos movem essas pessoas. Priorizam superficialidades em detrimento dos laços humanos. Laços de cumplicidade, de acolhimento, de afeto, de verdades. Mas nada de desânimos. Diz o poeta cantador: "Por isso mesmo apesar de tão raros/Não há nada melhor do que um grande amigo". Um grande e verdadeiro amigo está sempre pronto. Para a partilha da tristeza. Para a celebração da alegria. Para a vibração pela vitória do outro. Amigos verdadeiros doam-se sem esperar nada em troca. Doam-se pelo simples fato de que se doar é o que dá significado à amizade.
 Tenho amigos. Verdadeiros. Humanos. Que seguram na minha mão quando me falta o chão. Que caminham comigo. Que ora me guiam e que ora conduzo. Agradeço a Deus pelos amigos que dividem o espaço da existência e que olham para frente sabendo que sempre valerá a pena viver a vida digna, honesta, amorosa. Amigos que foram chegando e ficando e se aquecendo nos nossos abraços. Braços dados para enfrentar o que for necessário. Há sujeiras no percurso. Limpemo-las. Com bons amigos. Os que cantam e os que compreendem as canções. As bonitas como esta: a da amizade sincera.
Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 18/12/2015
"Amizade sincera" é o título de meu artigo, de hoje, publicado no Diário de SPaulo. http://goo.gl/wX9Vo9

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Canta Papa Francisco



"Um profeta do amor, da simplicidade, do acolhimento. Vida longa ao papa que nos alimenta de esperança. Feliz aniversário."











Papa Francisco celebra aniversário
O papa Francisco está de parabéns porque, esta quinta-feira, celebra o seu 79.º aniversário. Inclusivamente, o sumo pontífice foi presenteado com um bolo de anos, que foi entregue por um grupo de jovens cristãos que se deslocou ao Vaticano.

Jorge Bergoglio, licenciado em Química, nasceu em Buenos Aires, em 1936, e é o primeiro Papa latino-americano e o primeiro jesuíta.

Recorde-se que Francisco foi eleito papa, a 13 de março de 2013, no segundo dia do conclave e na quinta votação.




redevida




Papa abre Porta Santa e dá início ao Jubileu da Misericórdia

O Ano da Misericórdia





A Igreja Católica foi convocada pelo papa Francisco para
celebrar um Jubileu Extraordinário pela conclusão, há 50 anos,
 do Concílio Vaticano II. Caracteriza essa celebração jubilar um
 renovado empenho em vivenciar e proclamar para o mundo
a misericórdia de Deus. Dai ser este ano o "Ano da Misericórdia".
 O Ano da Misericórdia teve seu início no dia 8 de dezembro e
 sua conclusão se dará no dia 20 de novembro de 2016,
Solenidade de Cristo Rei.
Há católicos receosos de que o anúncio da misericórdia, a ser
 proclamada e vivida, no Ano Santo, ressoe como uma acomodação
da Igreja ao espírito do mundo. Ao acentuar a misericórdia,
o papa Francisco estaria esquecendo a justiça que pune.
É provável que haja pessoas que pensem assim: "Ah! Deus é misericordioso.
Ele fecha os olhos para os pecados do pobre ser humano. Com esse
 Papa tudo é válido". Por trás dessa maneira de pensar, há certo entendimento
de que progresso significa liberdade sem limites. Há quem pense que
 legalizar aborto é progresso, legitimar qualquer união como casamento
é progresso e pense que proteger a vida do nascituro desde seu início,
educar as crianças e os adolescentes para a virtude, ajudando-os a
compreenderem o sentido da sexualidade e a importância do matrimônio
e da família, é ser "conservador". Entenda-se: "conservador" se torna
sinônimo de atrasado, fora de época, "demodê". Já "progressista" se
torna sinônimo de ser aberto, atualizado, avançado, alguém em
concordância com as novidades do tempo presente. Em geral o
"progressismo" se torna uma veste "bonita" para muitas coisas
que são um verdadeiro retrocesso ético. Falam do direito ao
aborto e justificam-no também com o argumento de que muitas
mulheres morrem em consequência de abortos em clínicas clandestinas.
 Esquecem-se de dizer que o número de fetos assassinados
 impiedosamente - esquartejados - nas mesmas clínicas é
 muitíssimo maior. Em matéria de casamento e de família o
 progresso verdadeiro é aquele que o cristianismo trouxe e foi
solenemente afirmado pelo recente Sínodo presidido pelo
papa Francisco, sobre a família.
Mas afinal em que consiste a misericórdia? "Vendo que a
 multidão de pessoas que O seguia estava cansada e abatida,
 Jesus sentiu, no fundo do coração, uma intensa compaixão por
 elas" (Bula MV. cf. Mt 9, 36). No coração de Cristo a dor do outro.
E, quando se trata do olhar de Deus para o pecador, o
olhar não é de acusação, mas de compaixão. Compaixão
como a de uma mãe que sente em seu coração a dor de
ver seu filho se destruindo no vício, na ilusão de ser feliz.
Cristo, na Cruz, é o rosto misericordioso do Pai voltado para nós.
Doi-lhe ver-nos perdidos em nosso orgulho, aprisionados em nossas
ilusões. Assim o papa, São João Paulo II, descreveu, ao comentar a
 experiência de abandono de Cristo na cruz, essa compaixão de Deus
para conosco: "Precisamente pelo conhecimento e experiência que só
 Ele tem de Deus, mesmo neste momento de obscuridade Jesus vê
claramente a gravidade do pecado e isso mesmo fá-lo sofrer. Só Ele,
que vê o Pai e por isso rejubila plenamente, avalia até ao fundo o que
significa resistir com o pecado ao seu amor. A paixão de Cristo - é
sofrimento atroz na alma, antes de o ser e bem mais intensamente que
 no corpo." (NMI 26). Essa compaixão faz Jesus oferecer sua vida para
trazer-nos de volta ao coração do Pai. A misericórdia de Deus tem a força
 de converter-nos. "Nas parábolas dedicadas à misericórdia, Jesus revela
a natureza de Deus como a de um Pai que nunca se dá por vencido enquanto
 não tiver dissolvido o pecado e superado a recusa com a compaixão e a
 misericórdia".(Bula MV. cf Lc 15,1-31). Ele não veio para condenar, para
punir, veio para salvar. Oxalá, ao fazer a experiência da misericórdia de
Deus para conosco, aprendamos a olhar o mundo com o olhar da compaixão.
 Que o pecado do mundo doa em nós, não porque nos ameaça, mas porque
priva o mundo - as pessoas da alegria de Deus. Então que nossos joelhos se
dobrem pedindo que a misericórdia do Pai converta os corações, os nossos e
 os de nossos irmãos todos, e cure as feridas que desfiguram o rosto da humanidade.
 Vivamos assim esse tempo de Advento no desejo orante de que chegue a todos,
 neste Natal, o amor misericordioso do Pai.

Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues é arcebispo metropolitano da Arquidiocese de Sorocaba