O Mundo em Suas Mãos

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Divina Misericórdia, eu confio em Vós!

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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

PRECEITOS ECOLÓGICOS DE PADRE CÍCERO

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 1. – Não derrube o mato nem mesmo um só pé de pau. 
2. – Não toque fogo no roçado nem na caatinga.
 3. – Não cace mais e deixe os bichos viverem. 
4. – Não crie o boi nem o bode soltos; faça cercados
 e deixe o pasto descansar para se refazer. 
5. – Não plante em serra acima nem faça roçado 
em ladeira muito em pé; deixe o mato protegendo 
a terra para que a água não a arraste e não se perca a sua riqueza.
 6. – Faça uma cisterna no oitão de sua casa para guardar
 água de chuva. Represe os riachos de cem em cem metros, 
ainda que seja com pedra solta. 
7. Represe os riachos de cem em cem metros, ainda que seja 
com pedra solta.
 8. – Plante cada dia pelo menos um pé de algaroba, de caju, 



de sabiá ou outra árvore qualquer, até que o sertão todo seja uma mata só. 
9. – Aprenda a tirar proveito das plantas da caatinga, como a maniçoba,
 a favela e a jurema; elas podem ajudar a conviver com a seca. 
10. Se o sertanejo obedecer a estes preceitos, a seca vai
 aos poucos se acabando, o gado melhorando e o povo terá 
o que comer. Mas se não obedecer, dentro de pouco tempo 
o sertão todo vai virar um deserto só.
Pe. Cícero
Beata Mocinha

Beata Maria de Araújo



Francimaria Cristina Cristina



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Antes

Depois



















domingo, 25 de janeiro de 2015

Conversão de São Paulo, o apóstolo dos gentios











1 ¶ Ainda que eu falasse as línguas dos 
homens e dos anjos, e não tivesse amor, 
seria como o metal que soa ou como o sino 
que tine.
2 E ainda que tivesse o dom de profecia, 
e conhecesse todos os mistérios e toda 
a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, 
de maneira tal que transportasse os montes, 
e não tivesse amor, nada seria.
3 E ainda que distribuísse toda a minha
fortuna para sustento dos pobres, e
 ainda que entregasse 
o meu corpo para ser queimado,
e não tivesse 
amor, nada disso me aproveitaria.
4 ¶ O amor é sofredor, é benigno;
o amor não é invejoso; o amor
não trata com leviandade, 
não se ensoberbece.
5 Não se porta com indecência,
não busca os seus interesses, não
se irrita, não suspeita mal;
6 Não folga com a injustiça, mas
folga com a verdade;
7 Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, 
tudo suporta.
8 ¶ O amor nunca falha; mas
havendo profecias, 
serão aniquiladas; havendo línguas,
 cessarão;
 havendo ciência, desaparecerá;
9 Porque, em parte, conhecemos,
e em parte profetizamos;
10 Mas, quando vier o que
é perfeito, então o que o é
em parte será aniquilado.
11 Quando eu era menino,
falava como menino, 
sentia como menino,
discorria como menino,
 mas, logo que cheguei a ser homem,
 acabei com as coisas de menino.
12 Porque agora vemos por espelho
em enigma, mas então veremos
face a face; agora conheço 
em parte, mas então conhecerei
 como também sou conhecido.
13 Agora, pois, permanecem a fé,
 a esperança e o amor,
estes três, mas o maior destes é o amor.



























O apóstolo dos gentios
e das nações nasceu
em Tarso. Da tribo
de Benjamim,
 era judeu
de nação.
Tarso era mais do que uma colônia de Roma,
 era um município. Logo, ele recebeu também 
o título de cidadão romano. O seu pai pertencia
à seita dos fariseus. Foi neste ambiente, em 
meio a tantos títulos e adversidades, que ele
foi crescendo e buscando a Palavra de Deus.
Combatente dos vícios, foi um homem fiel
 a Deus. Paulo de Tarso foi estudar na
 escola de Gamaliel, em Jerusalém,

 para aprofundar-se no conhecimento
 da lei, buscando colocá-la 
em prática. Nessa época, conheceu
o Cristianismo, que era tido
como um seita na época. 
Tornou-se, então, um grande
inimigo dessa religião e dos
seguidores desta. Tanto 
que a Palavra de Deus testemunha que,
 na morte de Santo Estevão, primeiro mártir da Igreja,
 ele fez questão de segurar as capas daqueles
 que o [Santo Estevão] apedrejam, como uma 
atitude de aprovação. Autorizado, buscava
 identificar cristãos, prendê-los, enfim, acabar 
com o Cristianismo. O intrigante é que ele
pensava estar agradando a Deus. Ele fazia seu 
trabalho por zelo, mas de maneira violenta,
sem discernimento. Era um fariseu que buscava 
a verdade, mas fechado à Verdade Encarnada.
 Mas Nosso Senhor veio para salvar todos.
Encontramos, no capítulo 9 dos Atos dos Apóstolos,
o testemunho: “Enquanto isso, Saulo 
só respirava ameaças e morte contra os discípulos 
do Senhor. Apresentou-se ao príncipe 
dos sacerdotes e pediu-lhes cartas para as sinagogas 
de Damasco, com o fim de levar presos, 
a Jerusalém, todos os homens e mulheres que seguissem 
essa doutrina. Durante a viagem, 
estando já em Damasco, subitamente o cercou uma luz 
resplandecente vinda do céu. Caindo 
por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: ‘Saulo, Saulo, 
por que me persegues?’. Saulo então diz:
 ‘Quem és, Senhor?’. Respondeu Ele: ‘Eu sou Jesus, 
a quem tu persegues. Duro te é recalcitrar
 contra o aguilhão’. Trêmulo e atônito, disse Saulo:
 ‘Senhor, que queres que eu faça?’
 respondeu-lhe o Senhor: ‘Levanta-te, entra na cidade, 
aí te será dito o que deves fazer'”.
O interessante é que o batismo de Saulo é apresentado
por Ananias, um cristão comum,
 mas dócil ao Espírito Santo.
Hoje estamos comemorando o testemunho de
 conversão de São Paulo. Sua primeira 
pregação foi feita em Damasco. Muitos não
acreditaram em sua mudança, mas ele
 perseverou e se abriu à vontade de Deus,
por isso se tornou um grande apóstolo 
da Igreja, modelo de todos os cristãos.
São Paulo de Tarso, rogai por nós!




São Paulo 461 anos!
















São Paulo em palavra, em poesia


“Alguma coisa acontece no meu coração” (Sampa, Caetano Veloso)
Adoniran Barbosa, “dá licença de contá” a sua São Paulo. A nossa São Paulo. A cidade que há 461 anos, numa colina entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí, nasceu para ensinar. Antes de ser cidade, São Paulo foi escola. E continua sendo. Não sobrevivemos ilesos aos seus paradoxos, tão cristalizados e dolorosos. Crescemos com eles. São José de Anchieta versificou as marcas de algumas de nossas injustiças em seu nascedouro. As mesmas que, tanto tempo depois, sobrevivem nos livros e nas ruas de Ferréz e seu Capão Redondo, “Capão pecado”.
Ah! São Paulo que desperta paixões. De poesia e poeira. De rimas e desencontros. A “São, São Paulo”, de Tom Zé. A cidade que vem “morrendo a todo vapor” em abismos culturais, econômicos, sociais. Em abismos viscerais. Palco das “Diretas Já” e de tantos desalentos. Da Semana de Arte Moderna e das crianças abandonadas à sorte. Mário de Andrade, escritor que protagonizou o movimento modernista, declara, em diversos fragmentos de sua obra, seu fascínio pela “Pauliceia desvairada”. Cidade colcha de retalhos. Que desperta risos e lágrimas. “Arlequinal”. Mas, em seu “Prefácio Interessantíssimo”, Mário adverte-nos: “versos não se escrevem para leitura de olhos mudos”. Cada nuance de sua musa inspiradora, a cidade de São Paulo, é revelada no dito e no não-dito de sua obra. E sua poesia lapida nosso olhar. Nas ruas e nos livros.
Ah! São Paulo, comoção da vida de Mário de Andrade, comove também o príncipe dos poetas, Paulo Bomfim, que declara: “Pelo crime de seres boa, pelo pecado de tua grandeza, pela loucura de teu progresso, pela chama de tua história – eu te amo, São Paulo!”. Novamente, a dualidade. O sentimento dual é reiteradamente (e encantadoramente) declarado por escritores, músicos e por todos nós que descortinamos sua verdade. Moramos em São Paulo e ela mora dentro de nós. Como canta Tom Zé, “com todo defeito/ Te carrego no meu peito/ São, São Paulo/ Meu amor”.
Fomos forjados pelo sangue de trabalhadores que não temeram nem a garoa nem o futuro. Acolhemos imigrantes, como retrata Alcântara Machado em “Brás, Bexiga e Barra Funda”; e por vezes, nos distanciamos de nós mesmos. São Paulo, uma cidade que não rejeita ninguém. Nesse barro, fomos criados. Com trabalho e lirismo; acolhimento e coragem. Em São Paulo, encontramos os becos do Brasil e as marcas mais valiosas de Milão. A São Paulo que puxa o “r” para explicar o “porquê” de tudo fala também todas as línguas. Aqui, vive um mundo. Pelo caminho, encontram-se os contrastes que compõem o nosso mosaico cotidiano. As histórias que vivem rentes à nossa pele. Como a de Carolina Maria de Jesus. Ela era negra, pobre, mãe solteira, catadora de papel e foi muito discriminada até descobrirem sua palavra, sua confidência. Sua história de vida sai da extinta favela do Canindé, “o quarto de despejo da cidade,” e chega às bibliotecas e estantes de vários países no livro “Quartos de despejo”. Seu calvário, igual ao de tantos outros. 
As astúcias poéticas que permeiam a história de nossa cidade e que cantam os versos do nosso dia a dia são inúmeras. São mais de 10 milhões de histórias que pulsam com encantamento e dor. A São Paulo de Adoniran, São José de Anchieta, Ferréz, Tom Zé, Mário de Andrade, Paulo Bomfim, Alcântara Machado e Carolina Maria de Jesus é tão minha quanto sua. É dos paulistas e de todo o mundo. Parabéns, São Paulo. 461 anos da capital da esperança.

Livros e músicas
“Sampa”, de Caetano Veloso
“Saudosa maloca”, de Adoniran Barbosa
“São, São Paulo”, de Tom Zé
“Capão pecado”, de Ferréz
“Pauliceia Desvairada”, Mário de Andrade
“Insólita metrópole”, de Paulo Bomfim 
“Brás, Bexiga e Barra Funda”, de Alcântara Machado
“Quarto de despejo”, de Carolina Maria de Jesus


Por:Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 25/01/2015